Um blog para Amigos e para pessoas de quem gosto, com entrada permitida a alguns mentecaptos encadernados...

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Jun 14
 

Sempre gostei da Maria e sempre achei interessante o seu amor pelos animais, gatos, cães e até pombos... Para ela o mundo é formado por todos os que o habitam e todos devem ser protegidos e ajudados... Durante anos travou uma luta desigual com vizinhos, devido ao barulho que faziam no estabelecimento e posteriormente pelo fumo da lareira que lhe invadia a casa, situada por cima e que a obrigava a sair para a rua. Queixou-se a diversas entidades mas parece que nenhuma se interessou pelo seu caso, já que a situação se manteve durante mais uns anos, até que, farta das quesílias e do incomodo, mudou de residência. Uma setubalense bem humilde, mas de nariz arrebitado, serena e sociável. Uma paz de alma...

Grande Amigo, o Leonel Dias!!! Amigos há muitos anos, sempre falámos de coisas para além do trivial, como livros, poesia, pintura, cultura em geral, por vezes em sacanagens e sacanas bem conhecidos em várias áreas pseudo-intelectuais, sempre que nos encontrávamos. e nunca o raio da conversa ficava em dia! Tivemos umas almoçaradas sem grande história e aproveitávamos para beber uns copos em memória de vários amigos que nos deixaram para sempre. Registei o facto de, quando foi avô, me enviou a foto do rapagão, com o singelo aviso: "Olha, Fernando, toma atenção, mais um benfiquista na área!" Mas como sou seu amigo, perdoei-lhe a ousadia...

Leonel é um homem com diversas preocupações culturais e políticas. Pode-se considerar homem de uma esquerda mais participativa e um tanto ou quanto incómoda!... Adora ler, escreve, procura andar sempre informado e bem informado... e agora com Internete, a informação é a dar com um pau, é uma fartura, tanta, tanta que até divide, por email, com os amigos mais chegados.

Pessoa séria, honestíssima, vertical nas suas opções, quer sejam políticas ou outras, solidário, adora Setúbal e os seus cantos e recantos. É difícil não se gostar deste homem, casado com uma senhora que de certeza lhe apareceu em cima de uma azinheira! Aquele abraço cúmplice, Amigão! Tudo de bom para ti e Famelga!

Meu grande Amigo Adolfo, amigo de infância e de aventura. Tinhamos prái uns quinze anos quando resolvemos seguir o exemplo de outros amigos e dar o salto para França, numa altura em que era proibido emigrar. Fomos informados por um outro amigo, Rogério Severino, que trbalhava na junta do porto, que na estacada (hoje cais 3) estava um barco que dentro de dois dias ia zarpar para Marselha. Fomos observar e dois dias depois saltámos a muralha e fomos escondernos numa baleeira. Navegávamos há cerca de três dias quando a lona que cobria a baleeira foi levantada e uma voz, em bom português, disse: "São dois, tão aqui!". Tinhamos sido apanhados. Levados ao comandante, que estava muito admirado como é que um barco que ia para a pesca do bacalhau nas frias águas do polo norte, levava dois clandestinos. Foi aí que soubemos que o navio que ia para Marselha tinha-se deslocado para outro ponto da muralha e dado entrada ao arrastão bacalhoeiro David Melgueiro, que ia meter sal. Foi do catano, mesmo do catano! O imediato barbudo e com cara de boa pessoa pôs o Adolfo a trabalhar na farinha de peixe e óleo de fígado e eu fui para a copa dos oficiais e, posteriormente e a meu pedido, sempre que se justificava, andava a distruibuir cachacha aos pescadores, uma forma consentida de lhes minguar o horrível frio que os congelava, homens escravos do desejo do comandante de pescar bacalhau e mais bacalhau! Quando os porões estavam cheios e não se podia pôr mais, rumámos a Portugal, não sem antes termos abalroado um pequeno navio russo e um iceberg, que nos meteu duas cavernas da proa dentro.

Chegados a Lisboa, fomos recebidos pela polícia marítima e entregues à PIDE. Depois de sermos interrogados, fotografados e alvo de uma grande lição de moral e aconselhados a termos no futuro juízo, fomos postos em liberdade.  Desta aventura fracassada, ficou-me o conhecimento da ilha francesa São Pierre-Miquelon e de Sto. Jones, no Canadá, além de dois ou três amigos com quem mantive contacto até ao falecimento deles. Obrigado, Amigo Adolfo, por ontem me teres sugerido partilhar a nossa história gelada com os meus Amigos!

publicado por Etc e Tal às 13:18
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