Um blog para Amigos e para pessoas de quem gosto, com entrada permitida a alguns mentecaptos encadernados...

03
Ago 14

Rui Lico (à Dir.), aqui na companhia do mestre David "Bate-Chapa", é um velho Amigo, com quem partilhei algumas batalhas políticas e muitas pandegas petisqueiras, à semelhança do que acontecia com o seu falecido Pai, responsável por um viveiro de marisco em Setúbal, e cujo filho, após o seu falecimento, quis manter a tradição. Desde "Jaquinzinhos fritos" até "Santola com recheio à Setubalense", "queijinhos de Azeitão" e "Febras à Lavrador", era um festival de boa comida, muito decentemente regada a tintol. O Rui, que foi funcionário público, está agora aposentado e, curiosamente, reduziu a "ginástica" e bebe moderadamente e só em eventos sociais...   Nada é que não é nada, não é assim, compadre Lico?

Meu sempre recordado grande e bom Amigo, Zeca Afonso, conhecio-o desde que veio viver para Setúbal, primeiro junto a Montalvão, no prédio Estrela e depois num 1º andar, num edifício frente ao antigo tribunal de Setúbal, onde, devido ao barulho dos automóveis que passavam, lhe dava cabo dos nervos, por isso muitas vezes ia para a minha casa, pequena e humilde, onde sossegadamente lia, escrevia e pensava.

Antes do 25 de Abril, com ele e com os saudosos Amigos Gonçalves Chora (militante clandestino do PCP), com o Doutor Rosa da Silva (anarca, casado com uma filha do Dimas Pereira), destribuimos centenas de panfletos contra a guerra colonial, feitos a "stencil", numa máquina do escritório do advogado Moreira de Freitas, com o consentimento da mulher dele, anti-fascista convicta.

Com o Zeca, vendi algumas dezenas de livros proibidos ma época, como o "Julgamento dos Padres do Macuti", que ia buscar a Lisboa, à "Afrontamento", mediante um bilhetinho escrito pelo Zeca, onde este dizia que "Podem dar ao portador X livros", sem mencionar que livros eram. Na editora sabiam o que o Zeca Afonso queria. E lá vinha eu para Setúbal, com algum nervoso miudinho, mas encantado com a confiança que o Zeca em mim depositava!.

Um dos últimos livros que vendi ("se não tiverem dinheiro, oferece", ordem do Zeca Afonso, para quem o mais importante era ler o livro!) foi ao ex-padre da Igreja de S. Julião, hoje funcionário da Caritas, dr. Quintas, que o Zeca nunca chegou a conhecer como era seu desejo ("Um padre que compra esse livro tem que ser democrata e preocupado com o Povo! Quero conhecê-lo!"), já que quando nos deslocámos à igreja, o "padre Quintas" já tinha trocado as vestes sacertotais por um casamento e emprego na Setenave...  

Esta uma das dezenas e dezenas de estórias que tive com o Zeca Afonso, uma das pessoas mais educadas, simples, sem ponta de vaidade ou arrogância que conheci, e com um talento enorme!!! Estejas onde estiveres, um grande abraço, meu querido Amigo,  e "porta-te mal!"

publicado por Etc e Tal às 11:32
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